Por Maria Clara Rossini

 

Pergunte ao seu cachorro. Sabe aquele “chorinho” que ele faz quando quer subir no sofá ou pede carinho? Pois é. Esse é o jeito que a evolução encontrou para ele se comunicar e fortalecer uma relação com os humanos, o que garantiu a sobrevivência da espécie.

Agora, passemos aos bípedes. Assim como os cachorros, chorar também é uma forma de comunicação entre humanos. Para o bebê, que ainda não sabe falar, o choro é a única forma de expressar fome ou dor para a mãe.

Já em adultos, acredita-se que a função evolutiva do choro é despertar empatia no outro e estimular a ajuda em momentos de necessidade. Afinal de contas, o ser humano é um animal social, e a cooperação entre indivíduos foi essencial para a sobrevivência da espécie. 

Por ser uma reação involuntária do corpo, o choro é mais eficaz do que um pedido de ajuda verbal. Você pode até dizer que está com dor, mas isso não é tão convincente quanto chorar de dor, porque as l lágrimas são involuntárias. Ele demonstra que o indivíduo não está conseguindo lidar com aquele sentimento sozinho, o que faz com que outra pessoa se aproxime para dar apoio emocional.

Mas do que adianta chorar sozinho no quarto então? Outra utilidade do choro: ele libera hormônios e neurotransmissores que aliviam a tristeza e dor. A encefalina, encontrada nas lágrimas emocionais, funciona quase como um analgésico, com ação semelhante à da morfina. Além disso, já se sabe que expressar as emoções, seja de forma verbal ou não verbal, alivia as tensões e ajuda a elaborar a tristeza. É por isso você se sente melhor depois botar todo o choro pra fora.

Segurar o choro significa reprimir alguns sentimentos, tornando mais difícil lidar com eles. Médicos e psicólogos recomendam chorar para liberar as emoções – mesmo que seja sozinho no quarto.

 

Publicada na Super Interessante, em 13/07/2020

 

 

Jorge Hessen* comenta:

 

Estudiosos afirmam que a função evolutiva do choro foi despertar empatia no semelhante e estimular o auxílio em momentos de necessidade. Na verdade, a histórica cooperação entre indivíduos foi e continua sendo essencial para a sobrevivência da espécie humana.

Sabe-se que o choro libera hormônios e neurotransmissores que aliviam a tristeza e a dor. Especialistas alegam que reprimir o choro significa abafar alguns sentimentos, tornando mais difícil lidar com eles. Em face disso, médicos e psicólogos recomendam chorar para liberar as emoções. O choro amiúde constitui o acesso nas essências mais profundas dos sentimentos. É quando não se domina a amargura e ela necessita ser vazada, exposta, nem que seja solitariamente.

As lágrimas são um mecanismo de defesa do organismo para liberar o stress e auxiliar no reequilíbrio das emoções. O choro alivia a angústia e pode nos levar a submersões mais intensas, quando oferecemos um sentido para as lágrimas, para aquela dor vivida no presente.

Todavia, são urgentes alguns alertas! O choro pode ser um episódio ligeiro de tristeza, mas também pode ser um transtorno psicológico depressivo. A tristeza é um estado emocional transitório e comum, uma reação psicológica circunstancial. Entretanto, a depressão, ao contrário da tristeza, não é algo efêmero. Uma pessoa deprimida padece de condição emocional crônica sob as chibatas da ansiedade mental prolongada.

Meditando a questão do choro, observamos que ele foi sublime em Jesus. Como registrou o evangelista afirmando que à frente de Lázaro “morto”, o Cristo chorou. O excelso Galileu “também chorou lamentando a incompreensão dos homens sentado em uma das grandes raízes de uma árvore no fundo do quintal da casa de Pedro".(1) Jesus chorou no Getsêmani, quando sozinho, todavia, em Jerusalém, sob o peso da cruz, rogou às mulheres generosas a cessação das lágrimas. Na alvorada da Ressurreição, questionou Madalena a razão do seu choro junto ao sepulcro.

Conta o Espírito Hilário Silva no livro “A Vida Escreve” uma metáfora em que Eurípedes Barsanulfo teria indagado ao Mestre: “Senhor, por que choras?”. Jesus não respondeu. O nobre filho de Sacramento reiterou: “Choras pelos descrentes do mundo?” E após um instante de atenção, Jesus respondeu em voz dulcíssima: “Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam”.(2)

Sabendo que o choro pode significar abrigo de alívio, consintamos que ele advenha, para benefício daquele que chora. Apenas expressemos compaixão. Abriguemos os que choram, dizendo-lhe frases do tipo: “Conte comigo”, “estou ao seu lado”, “compreendo e respeito sua agonia”, “confie e espere’, ‘tudo passa”, sempre sussurrando-lhe Jesus aos ouvidos: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (3)

 

Referências bibliográficas:

1             FRANCO, Divaldo. Primícias Do Reino Ditado pelo Espírito Amélia Rodrigues, Salvador: Editora, LEAL 2015

2             XAVIER, Francisco, VIEIRA, Waldo. A Vida Escreve, pelo Espírito Hilário Silva, ed. FEB, 1998

3             Mateus 5:4

 

* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (vinte e seis livros "eletrônicos" publicados). Jornalista e Articulista com vários artigos publicados

Atendimento Fraterno via chat. De domingo a quinta-feira, das 20h às 22h, e em dias e horários alternativos.