Autor: 
Claudio C. Conti

Leia o capítulo anterior

É um fato comum as pessoas crêem que existem fantasmas como sendo seres do outro mundo e vestidos com um lençol branco. Isto na melhor das hipóteses muitas vezes acredita-se tratar de seres horripilantes, deformados ou faltando pedaços.

Estas idéias não são necessariamente frutos da imaginação humana, pois sabemos da existência de espíritos e que alguns deles são vistos envoltos numa substância vaporosa e não definida que, por aproximação, muito se assemelha ao lençol. Por outro lado, muitos espíritos, após o desencarne, se encontram em situação de sofrimento, acreditando-se estar realmente faltando um pedaço ou completamente desfigurados, decorrente de um desencarne mais violento cujo trauma permanece vivo.

Muitas pessoas são capazes de ver estes espíritos, são os médiuns videntes, dando ensejo para as mais diversas descrições, realístico ou não.

Em resumo, podemos dizer que aqueles que pensam que fantasmas existem estão completamente enganados. Fantasmas não existem, são, na verdade, espíritos vivendo em outra condição de existência – o que é denominado de “o mundo dos espíritos”.

Mas, o que seria o “mundo dos espíritos”? Haveria dois mundos? O nosso e o deles? Existiriam, então, “coisas do outro mundo”?

Obviamente existe a necessidade de definir nomes ou denominações específicos para os diferentes lugares, sejam eles circunscritos em um espaço definido ou não. Não podemos esquecer que os nomes são mera forma de identificação sem, contudo, inferir que não possa haver algum tipo de interação entre eles. Existe uma tendência a darmos mais importância em como os sentidos são sensibilizados do que a essência do evento.

No início do livro falamos a respeito do exercício mental. Retomando esta idéia, propomos um exercício: Vamos esquecer as definições de “outro mundo” ou “mundo dos espíritos” e considerar os “dois mundos”, o nosso e o deles, como sendo uma coisa única, partes integrantes de um todo. Difícil? Pode até ser a princípio, mas depois que nos acostumarmos com a idéia será, até, muito fácil.

Vamos imaginar o “outro mundo” como sendo outro país, localizado, como todos os outros, na superfície da Terra.

Neste país, existem pessoas como o nosso e, da mesma forma, necessitam de casas, trabalho, educação, cuidados médicos e tudo o mais que nós necessitamos no nosso país.

Mesmo que nunca tendo viajado, estamos acostumados a ver fotografias, filmes, etc. Ainda que não houvesse estes meios, haveria o relato de pessoas que já foram a outros locais. Será que conseguiríamos imaginar como seria um lugar qualquer baseados em relatos?

A vida de Jesus é um bom exemplo de como se é possível montar todo um cenário apenas através de relatos. Não existe uma única fotografia sequer daquela época e, inclusive, do próprio Jesus, mas, apesar de qualquer erro derivado de uma interpretação errônea, sua mensagem atravessou séculos e ainda continuará existindo por muitos séculos vindouros.

Voltemos ao nosso país virtual. Embora haja diferenças marcantes entre os vários povos, podendo-se enumerar como exemplos a cor de pele, a estatura, as crenças, os costumes, o idioma, etc.

Verifica-se que todos necessitam respirar oxigênio, todos necessitam se alimentar, todos necessitam dormir, em resumo: as necessidades fisiológicas e as leis que regem a manutenção dos corpos vivos são as mesmas.

Não somente estas, mas também as leis químicas e físicas são as mesmas; Seria uma grande insensatez se assim não fosse, pois o intercâmbio entre os povos estaria completamente comprometido, não haveria mais a menor possibilidade de turismo, seja lazer ou profissional, o comércio exterior não existiria, uma vez que a matéria de um país teria propriedades diferentes quando sob as leis químicas e físicas do outro país. A madeira, sólida em um, poderia ser líquida em outro, por exemplo. Em Resumo:

viveríamos completamente isolados uns dos outros.

A lógica e a razão dizem, portanto, que é necessário haver uma unidade de comportamento básico, isto é, as leis que regem o comportamento da matéria, seja ela orgânica ou inorgânica, para que possa ocorrer algum tipo de interação.

Ora, se nós que temos a inteligência tão limitada podemos compreender a necessidade da unidade das leis, o Criador, detentor da inteligência suprema como discutido no Capítulo II, muito mais facilmente reconheceria esta necessidade.

Assim como nos aeroportos do mundo inteiro existem pessoas chegando e partindo, de e para os mais variados pontos do planeta, poderíamos considerar os hospitais como o “aeroportos” de chegada e partida de espíritos do e para o nosso país virtual, o “mundo espiritual”. Obviamente que as pessoas não encarnam e desencarnam somente em hospitais e serve apenas como meio de raciocínio e comparação.

Se há intercâmbio, necessariamente devem existir leis a reger o processo.

Apesar da complexidade que devam apresentar, ainda assim é possível elaborar algum raciocínio para aprimorar a compreensão das leis que regem o intercâmbio entre as duas condições de existência.

No livro Evolução em Dois Mundos, Capítulo I, encontramos o seguinte descrição do processo de criação do universo:

Nesta substância original (referindo-se ao fluido cósmico) ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas,..., extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade... Essas Inteligências Gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gaseificadas ou sólidas, obedecendo as leis pré-determinadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas que se desgastam e se transformam, por fim, de vez que o Espírito Criado pode formar ou cocriar, mas só Deus é o Criador de toda a Eternidade.

Analisando este seguimento de texto é possível concluir que tudo o que conhecemos e o que não conhecemos, podendo-se inferir o mundo material e o mundo espiritual, como sendo constituídos da mesma matéria elementar, isto é, o fluido cósmico. Por mundo material e mundo espiritual entende-se não somente o nosso, mas todos os sistemas planetários, sistemas galácticos, enfim, todo o universo, no que concerne a matéria.

Estes mundos são o campo fértil onde os espíritos buscam, através das experiências vividas, tanto no plano material quanto no espiritual, meios de evoluírem. André Luiz chama de “habitações cósmicas”.

A informação disponível através da literatura espírita, inclusive o Pentateuco Kardequiano, os espíritos se encontram em variados estágios de evolução, cada grupo com uma necessidade diferente do outro. Visando suprir a necessidade de experiências diferentes, os vários mundos devem fornecer condições adequadas para cada necessidade e, por isso, se apresentam de variadas formas.

A diversidade das condições físicas e, consequentemente, de habitabilidade dos planetas pode ser exemplificada com a Terra e Júpiter.

A Terra é exemplo de um planeta rochoso que, como o próprio nome infere, são constituídos de superfície sólida: rochas e metais; possui alta densidade, a rotação em torno do sol ocorre de forma lenta, não apresentam anéis e possuem poucos satélites, a Terra possui apenas um satélite, a Lua. São os planetas mais próximos do nosso sol, a saber: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

Por sua vez, Júpiter é exemplo de um planeta gasoso que, como também o próprio nome infere, são constituídos principalmente de gases: hidrogênio e hélio; ao contrário dos planetas rochosos, apresentam baixa densidade, rápida rotação, atmosferas espessas e densas, apresentam anéis, como Saturno, e grande quantidade de satélites, Júpiter possui cinco satélites. São os planetas mais afastados do sol, a saber: Júpiter, Saturno, Urano, e Netúnio.

Podemos, assim, com poucos exemplos, observar a diversidade das características dos planetas.

A título de exemplo podemos considerar o planeta Júpiter. Pelas suas características, é um planeta completamente hostil para a existência de vida orgânica, pelo menos na forma que a conhecemos, não possui superfície sólida. A atmosfera, nociva e instável, é tão densa que os raios solares não são capazes de penetrá-la.

Contudo, em várias publicações da Revista Espírita, mas especificamente em 1858, são trazidas várias informações a respeito deste planeta que é apresentado como sendo habitado por espíritos mais evoluído que o nosso.

Ainda no Capítulo I do livro Evolução em Dois Mundos, André Luiz diz que toda essa riqueza de plasmagem, nas linhas da Criação, ergue-se à base de corpúsculos sob irradiação da mente, corpúsculos e irradiações que, no estado atual dos nossos conhecimentos,..., não podemos definir em sua multiplicidade e configuração.

Verifica-se, desta forma, a importância da ação do pensamento. No livro Mecanismos da Mediunidade , capítulo IV, André Luiz discorre sobre o pensamento:

Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura, a constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do Espírito se manifestam.

Vemos, assim, que ao termo em que André Luiz se referencia como corpúsculo mental infere a natureza material do pensamento. A matéria mental, similarmente a matéria densa que conhecemos embora em outro estado vibratório, estaria sujeita a leis físicas que regem a matéria naquele estado vibratório.

Definindo o pensamento como matéria, André Luiz afirma ser matéria em outro estado vibratório, formada por átomos mentais compostos de prótons, neutros e elétrons mentais, denominados assim, como ele próprio o diz, pela falta de terminologia mais adequada. Em outras palavras: a matéria mental também é formada pela conjugação de forças de atração e repulsão, ou seja, “leis de formação dos sistemas atômicos”. Há, portanto, similaridade entre os sistemas atômicos dos dois planos, material e espiritual.

Sobre a matéria do denominado plano espiritual, que estaremos em contato direto após a desencarnação ou durante os momentos em que o espírito se liberta temporariamente do corpo físico, André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, Capítulo XIII, diz ser a matéria conhecida no mundo, em nova escala vibratória.

Todavia, encontraremos elementos atômicos mais complicados que o Urânio e mais sutis que o Hidrogênio, estendendo os elementos conhecidos na Terra. Elementos atômicos, ou elementos químicos, são a base estrutural de toda a matéria. A combinação destes vários elementos é que se dá a formação dos compostos ou substâncias. Por exemplo, na combinação de dois átomos do elemento hidrogênio com um átomo do elemento oxigênio forma-se o composto ou substância conhecida como água.

Os elementos químicos são a corpúsculos base utilizados nos processos químicos para a elaboração das substâncias. Atualmente são conhecidos, na Terra, 112 elementos químicos, sendo que, dentre estes, apenas 92 são encontrados naturalmente enquanto que os outros foram produzidos pelo homem a partir dos elementos naturais.

Os átomos são compostos por um núcleo, parte central, onde se encontram os prótons e nêutrons, e a eletrosfera, região em torno do núcleo onde se encontram os elétrons.

Dentre os elementos naturais, o átomo de Hidrogênio é o mais simples de todos formado apenas por um próton no se núcleo e um elétron girando entorno.

No outro extremo, encontramos o átomo de Urânio, o elemento mais pesado, composto por 92 prótons e 146 nêutrons em seu núcleo e 92 elétrons girando entorno.

André Luiz nos informa que esta série de elementos, quando consideramos os outros mundos, inclusive o mundo espiritual, é bem maior do que conhecemos.

Um exemplo real da possibilidade da existência de elementos diversos aos que existem na Terra é dado pelo próprio homem, que são os elementos artificiais, mencionados anteriormente, que são mais pesados que o Urânio, tais como o Netúnio, Plutônio, Amerício, Cúrio, etc...

Vemos, assim, que o “outro mundo” e o “nosso mundo” estão entrelaçados, não existem como duas entidades isoladas, mas como uma única coisa. A concepção da vida espiritual toma nova forma, deixa de ser fantasiosa ou inimaginável para se tornar real e concreta.

Continua em breve...

* Extraído do livro ENSAIOS SOBRE QUESTÕES ESPÍRITAS, Capítulo I, de Claudio C. Conti - www.ccconti.com

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